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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Ninguém?! Não. Comigo.

Faz um tempo que me pergunto porque namorei tão pouco. Não, não que eu tenha ficado sozinha durante muitos anos, mas tive poucos namorados, de apresentar para os pais e levar nas festas de família.
Lendo este texto, da ótima Tati Bernardi, acho que entendi.

Ninguém

Sapato baixo, calça larga e cabelo preso. Esquentou e seus ombros tensos agradecem. Que cara bonita é essa? Já logo no elevador. Ah, devo ter dormido bem. Bom dia, bom dia. Olha, você está muito bonita hoje. Um fala, outro concorda. E pelos corredores, sorrisos dão continuidade aos elogios. O que é?
Que segredo ela guarda? Que novidade é essa? Na cozinha perguntam: novo amor? No estacionamento perguntam: voltou com alguém? No restaurante, na hora do almoço: é alguém novo? Cruza com um namorado antigo "nossa, você tá muito... é o quê? Sexo? A noite toda? Conta, vai, eu agüento ouvir". Contar o quê? No espelho, enquanto escova os dentes, fecha os olhos e sabe pra si o segredo: ninguém. Não gostar de ninguém.
Nada. Nem um restinho de nada. Nem de tudo que acabou e nem de nada que possa começar. Nada. Pouco importa qualquer outra vida do mundo. Não é nem pouco, é nada mesmo. Um dia inteiro para achar gostosas coisas bobas como um pacote de pipoca doce, um tênis pink ou a hora do banho quente com músicas recém baixadas e o tapetinho vermelho. Um dia inteiro sem escravidão. O celular, o e-mail, o telefone de casa, o ar, o interfone, a rua. São o que são e não carrascos que nada dizem e nada trazem. Um coração calmo, se ocupando de mandar sangue para as horas felizes de trabalho, estudo, yoga, massagem, dormir, bobeiras, pilates, comer, rir, cabelo, filmes, comprar, trabalhar mais, ler, amigos . É isso. Uma agenda enorme que a ocupa de ser ela e não sobra uma linha de dia pra lamentar existências alheias. Linda, ela segue.
Linda e feliz como nunca. O segredo do espelho, escovando os dentes, sozinha, aperta os olhos, segura a alma um pouco sem respirar. Segura a pasta pensando que é um pouco de alma consistente na boca. Não cospe, suporte. Ela pode finalmente suportar seu peso e não dividir isso nem com o ventinho que entra pela janela. Nem com o ralo que a espera boquiaberto. A sensação é a da manhã seguinte que o papai Noel deixava os presentes: não é mentira, é só um jeito de contar a verdade com algum encantamento.

domingo, 26 de junho de 2011

Momento mulherzinha: esmalte da semana


A Fernanda Reali é uma fofa, que organiza a blogagem coletiva dos esmaltes.
O desafio da Fer pra essa semana era esmalte + livro, porque não basta estar linda por fora, tem que estar por dentro também.

Estou usando nas unhas o Inocense, da Impala, um lilás meigo porque eu estou numa vibe meiga. O livro é o que eu que eu acabei de começar a ler, Vozes da Legalidade - Política e Imaginário na Era do Rádio, de Juremir Machado da Silva.

O livro conta como aconteceu o Movimento pela Legalidade, que garantiu, há 50 anos, a posse do então vice-presidente do Brasil, João Goulart, na Presidência, deixada vaga com a renúncia de Jânio Quadros. O governador do Rio Grande do Sul à epoca, Leonel Brizola, correligionário e cunhado de Jango, enfrentou os militares e montou uma rede de rádio, a partir dos porões do Palácio Piratini (sede do governo gaúcho), conclamando a população a não aceitar outra atitude que não a posse de Jango. Um momento marcante da história republicana do Brasil.

Lá no blog da Fer tem outros livros e esmaltes, confere lá!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Na selva

Manhã de segunda-feira, início de uma semana curtinha, dia nublado. Não sabia que me depararia com momento de falta de civilidade tão absurdo - como é absurda toda falta de civilidade.

Peguei minha lotação, como de costume. Faltando uns 10min para chegar ao meu destino, motorista da lotação tenta ultrapassar um Uno branco, que trafegava lentamente no meio da pista. Uno não dá o lado para a lotação. Lotação da sinal de luz. Nada. No próximo cruzamento, Uno corta a frente da lotação, parando no meio da rua. Motorista desce enfurecido, perguntando "pq está com tanta pressa?!". Ora, lotação tem hora para chegar e sair, não parece óbvio?! E começou o bate-boca. Eu ainda tentei dizer algo lógico, para que a civilidade prevalecesse: "ai, desvia desse doente e toca o barco, precisamos trabalhar". Solenemente ignorada.

Motorista do Uno do lado de fora, motorista da lotação do lado de dentro. Quando o da lotação levantou com o extintor de incêndio na mão, eu me assustei. Parecia cena de filme, surreal. Ele mesmo se deu conta do que poderia acontecer se usasse o extintor. Desistiu. Pegou um capacete que tinha ao lado do seu banco. E já desceu da lotação batendo.

Dois homens adultos engalfinhados no meio da rua, feito dois moleques. Porque um tentara passar pelo outro na rua. Pessoas como essas, se têm armas, atiram.

Enquanto eles se batiam, a outra passageira ligou para a Brigada Militar. Antes que chegasse, cinco cidadãos que assistiam à cena conseguiram separá-los. Motorista do Uno entrou em seu carro e foi embora. Motorista da lotação retomou a direção e seguiu seu caminho. Ambos amarrotados, sujos, tendo batido e apanhado. Será que se sentiram melhores?

Eu não. Me senti na selva. Não consegui sequer reagir à briga, de tão estupefata fiquei. Como é que dois seres humanos adultos praticam tamanha sandice, por motivo tão banal?! Como é que se agarram a socos e pontapés apenas porque estavam com pressa para chegar a algum lugar?! Como é que o trânsito vai funcionar se abriga selvagens como esses?!

E o pior: um deles é motorista P-R-O-F-I-S-S-I-O-N-A-L. Ou seja, está todos os dias nas ruas, sujeito a ser provocado, fechado, ultrapassado e etc. E como ficamos nós, passageiros, diante de tamanho descontrole?! E se o motorista do Uno tivesse uma arma? Eu estava sentada em frente à porta, confesso que fiquei com medo de ser atingida durante a briga.

Como minha obrigação de cidadã, registrei queixa sobre a atitude do motorista da lotação, que não poderia, de forma nenhuma e sob pretexto nenhum, ter aceito a provocação do outro. Provavelmente não dará em nada. Fica aqui o meu registro. E o meu protesto.

UPDATE
A Porto Seguro Seguros está fazendo a campanha Trânsito mais gentil. Muito apropriado. Muitos acidentes seriam evitados se as pessoas fosse apenas mais gentis umas com as outras, sem competir. Informações aqui.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Dia do Jornalista - parte 1

Esse blog anda desatualizado, eu sei. Há vários textos começados, uma hora eu termino.
Mas não vai ser hoje. Eu PRECISO compartilhar um e-mail que eu recebi hoje, 7 de abril, Dia do Jornalista. E ele não cabia no twitter!

Parabéns pelo dia do jornalista. Para mim tu és a jornalista!
Tenho muito orgulho da profissional das palavras e das letras que tu és. Continua. Vá em frente que a luta vai ficando mais difícil mas também as vitórias são mais compensadoras. Eu sempre aprendo contigo!
Gosto da tua pose, do teu texto, da tua segurança, da tua cultura e do teu conhecimento. Que bom que te ofereci revistinhas da Mônica....

Um grande beijo.
Sou tua fá numero um!

Mãe


Não é de chorar de fofo?!
Mãe, certamente és a minha maior incentivadora. Sempre. E sei que o hábito de ler jornais, revistas, livros e tudo que caísse na minha mão - fundamental para o exercício da profissão - adquiri contigo. Também o hábito de ser interessada, disposta para o trabalho, gentil no trato com os colegas e clientes. E muito outros hábitos. Muito obrigada.

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