Uma mulher está em uma festinha de verão, numa sede campestre qualquer, em um capital qualquer desse país. Viúva, 36 anos, cuida sozinha das duas filhas, de dez e seis anos, além de ser diretora de uma boa escola da cidade. Na festa, está acompanhada das filhas e mais alguns parentes. A menina mais velha brinca com outras crianças, até que jogam - por acidente ou naquelas brincadeiras idiotas de criança - areia em seus olhos. Ela corre para a mãe. Junta-se uma tia, também pedagoga, e vão levá-la ao Banco de Olhos para limpar melhor e garantir que não haja danos. No carro de trás, o restante da família: o marido da tia, a irmã da menina...
Uma mãe em alta velocidade. Uma filha que provavelmente chorava. Uma avenida recentemente recapeada. Curva acentuada. Poste e muro. Um carro entre eles. Duas pessoas arremessadas pela janela. Um presa nas ferragens. E três vidas vão embora.
Essa história aconteceu, mais ou menos assim, em Porto Alegre no último domingo (09). A foto é de como ficou o carro. Passei pelo local do acidente por acaso, logo após terem retirado os corpos. Em casa, à noite, via internet, descobri do que se tratava. E meu coração ficou pequeninho. Quantas de nós, mães, dirigiram de maneira imprudente para atender a um filho?! Quantas vezes dirigimos com filhos chorando, qualquer que fosse a causa do choro, desviando nossa atenção do trânsito?
Lá em casa, esse acidente serviu de alerta. Não importa o que há dentro do carro, o que há no nosso destino, o que há na nossa cabeça. Tudo pode esperar para chegarmos vivas e inteiras.
PS: O post é meio drámatico. Mas essa história não me saiu da cabeça. Pra completar, minha mãe entrou em um engavetamento com mais quatro carros na terça-feira (11). Só não teve consequências piores para ela porque, lembrando da história das duas professoras, ela resolveu se lixar pro atraso e dirigir com cautela. O carro ficou destruído na frente e atrás, está na oficina, seguro cobrindo tudo. Foram 9 pessoas, 5 carros e nenhum arranhão. Obrigada, Deus. Entendemos o recado.


