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quarta-feira, 14 de julho de 2010

Um tapinha...

Um projeto de lei encaminhado hoje (14) ao Congresso Nacional pretende coibir palmadas, beliscões e outros castigos físicos aplicados pelos pais às crianças. Pelo projeto, "castigo corporal" e "tratamento cruel e degradante" passam a ser enquadrados como violação ao item do Estatuto da Criança e do Adolescente que fala de maus tratos mas não especifica os castigos.

A reportagem da Folha Cotidiano ouvir especialistas. "Nossa preocupação não é com a palmada. Nossa preocupação é com as palmadas reiteradas, e a tendência de que a palmada evolua para surras, queimaduras, fraturas, ameaças de morte", disse subsecretária de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, Carmen Oliveira, da Secretaria de Direitos Humanos.

Acho delicada essa questão. Ninguém defende a palmada, até porque eu creio que pais e mães não batam nos filhos por acharem isso agradável. Não é. Mas, como mãe, garanto que, às vezes, ficamos sem saber como agir. Se uma criança já foi orientada, alertada verbalmente e colocada de castigo por causa de uma atitude errada, mas ainda assim insiste nela - geralmente, para testar os pais, coisa que fazem desde muito cedo - o que se faz?! Algumas raras vezes, já tive que dar uns petelequinhos na Valentina - nas pernas, de leve - e não me orgulho nem um pouco disso. E de novo pergunto: o que devemos fazer?

Claro que o nível de cansaço e estresse dos pais os tornam mais vulneráveis a apelar às palmadas. Como adultos, nós precisamos nos controlar e procurar compreender o que é da criança e o que é nosso. E geralmente é nosso: a criança usa comportamentos que sabe que são errados - bater no irmãozinho, mexer onde não pode, subir em móveis - para chamar a nossa atenção. Se nos mantivermos atentos a isso, será mais fácil contornar os problemas com as crianças. Falo isso por experiência própria. Sempre que a Valentina faz alguma coisa errada, tento identificar a motivação dela. E pode ser para que eu lhe dê atenção, pode ser para se exibir para alguma visita ou pura birra mesmo por ter sido repreendida. Compreendendo isso, na maioria absoluta das vezes, consigo fazê-la parar sem grandes dificuldades.

Mas, pra variar, descobri isso no velho método amigo dos pais: tentativa e erro. Não encontrei orientações em lugar nenhum e isso realmente poderia ser melhor. Encontram-se aos montes sites e livros que ajudam os pais a cuidar dos seus filhos, desde montar quartos para o bebê até preparar comidas gostosas e saudáveis. Mas orientação para os comportamentos - tipo Supernanny - vejo pouco, principalmente para crianças antes dos dois anos.

Essa lei, por exemplo, me parece uma daquelas normas bem-intencionadas, mas que precisam integrar um conjunto de ações para ter efeito prático. Existe algum local que oriente os pais, alguma cartilha, algum apoio?!!? Não, acabamos nos baseando nas experiências, próprias e alheias, para descobrir como agir com nossos filhos. E melhorar essa oferta de informação, especialmente entre as camadas mais carentes da população, poderia ser uma ação complementar à rede de proteção.

2 comentários:

Fernanda Crancio disse...

pois é, marlinha, situação delicada essa. não sou favorável a nenhum tipo de agressão, mas todos nós sobrevivemos a algumas palmadinhas na infância e não somos traumatizados por isso nem crescemos nos ac hando menos amados por nossos pais, certo? acredito que ninguém goste de apelar para a palmada nos filhos, mas creio que ela tem sua função social, digamos assim... o que me deixa mais confusa nessa lei é o fato de a delação ser necessária para que medidas sejam tomadas. e se, por exemplo, vizinhos acharem que a criança que chora de manha até se finar está sendo espancada pelos pais? e se uma criança resolver se vingar dos pais que a colocaram de castigo e inventar que apanha deles com frequência, e se....
me parece que ficam muitas perguntas a serem respondidas sobre esse projeto. excelente abordagem!

Ana Carla Benet disse...

Perfeita reflexão ... já recorri às palmadinhas e tb não me orgulho, mas há momentos que a coisa fica "periquitante".

Mas tb concordo que temos que trabalhar nossas emoções, já q somos maiores, mais fortes, etc etc etc. Seres tão pequetitos não merecem surras, né?

Adorei o Blog e voltarei.

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